Eu queria poder voltar no tempo. Voltar para os teus braços, voltar para tudo àquilo que costumávamos ter ou para aquilo que eu pensei que tivéssemos. Queria poder rever nossas conversas. Sentir toda aquela emoção mais uma vez, deletando a parte em que tudo foi rompido. Eu posso lembrar-me do dia em que te conheci, do dia em que pude abrir meu coração pra ti e despejar todo aquele sentimento inseguro e insano. Posso me lembrar das lágrimas que insistiam em cair ao ouvir “eu te amo”. Ainda hoje posso sentir os mesmos arrepios que tive ao te sentir comigo. Lembro-me sempre dos planos que mantínhamos, de tudo que, supostamente, iríamos conquistar juntos. Lembro-me das músicas que nos faziam envolvidos em suas melodias. Lembro-me dos milhões de textos que já fiz por ti e para ti. Contudo, nada fora tão glorioso que não pudesse acabar ou ser quebrado. Eu queria que tudo tivesse sido diferente… Anos já se passaram. Venho me enganando e fingindo suportar. Tento substituir-te por outro alguém, mas tudo em ti foi especialmente raro, intenso, apaixonante. Nunca poderei te encontrar em outro alguém. Sorte daquele que hoje te tens.
Talvez seja cedo para fazermos afirmações e promessas. Talvez seja cedo para garantir o que o futuro pode não trazer. Talvez, talvez… Incertezas que não me servem como prevenção. Não hesito em explorar meus sentimentos, mesmo que eu saiba que isso seja um erro. Já houvera me machucado antes pelo mesmo erro cometido, mas eu não estaria seguindo minha essência puritana se não assim fizesse. Tu despertas em mim algo que ainda não sei descrever, fazes com que eu busque o meu melhor. Não que eu me ache inferior, mas tu proporcionas-me desejos muito além dos físicos. Sinto-me tão livre contigo, por menor que seja o tempo que passamos juntos. É como se eu pudesse enxergar o brilho da vida dentro dos teus olhos. Dentre risos e conversas paralelas, cativou-me de maneira fácil. Posso afirmar que a leveza que se encontra nela, nenhuma outra pôde ter. É um tesouro raro, guardado por pessoas especialmente raras. Contagia-me com seu jeito de moleca e cabeça de mulher. Mostra-me as verdadeiras importâncias da vida e faz-me correr atrás delas. Queria eu poder um dia te ter no meu colo e te fazer sentir só um terço de toda felicidade que me tu proporcionas, o que já seria um eterno sentimento. Talvez seja cedo. Talvez amanhã seja tarde. Talvez hoje não seja o dia… Talvez.
Eu sei que já falei mil vezes do seu sorriso. Também sei que penso nele constantemente e que sempre que eu o vejo, desmancho-me inteiro por dentro. Porém nada vai fazer-me cansar de contemplá-lo mais outras vezes. Leviana e inteligente, tu não precisas esforçar-te para mostrar o quão sensata és. Tua alegria é como um vírus infectando-me e fazendo de mim mais um corpo hospedeiro. Não é difícil arrancar um sorriso teu, mas nem por isso ele passa a ser menos esplêndido. Sempre que tu o esboça, há uma magia que me envolve num transe de prazeres angelicais, torturando-me num desejo quase que incontrolável. Com ele, tens-me nas tuas mãos se quiseres. Essa é uma arma da qual faço questão de ser vítima todos os dias.
Difícil fora evitar o adeus. Éramos diferentes demais para prolongar uma relação da qual, de fato, não tivera uma base forte para suportar as frequentes brigas que costumávamos ter. Contudo, não posso negar a alta atração que mantínhamos um para com o outro. Era como um anjo de malícias. Sua pele extremamente branca e suave fazia um formoso contraste com seus volumosos e negros cachos de sua curta e rebelde madeixa. Seus olhos, também escuros e enigmáticos, traziam consigo certa carga de tristeza e rancor por tudo que já havia lhe ocorrido. Havia algo muito além de seu biótipo que me envolvera de uma forma que nunca houvera de me envolver. Seus sentimentos foram nobres. Carregava um senso de justiça admirável. Era uma pessoa íntegra, do tipo que raro se encontram. Apareceu em minha vida no momento certo para livrar-me de todas as correntes que me fazia prisioneiro de valores que não eram meus. Foram tardes quentes de um pesado inverno do sul do país. Isso para mim, já que sua presença real se dava em um harmônico clima da região do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo em que estávamos separados pela distância física, não pudéramos estar mais sincronizados. Porém, como eu já houvera dito, nossas discussões eram constantes. Seu moral e orgulho, uma vez atingidos, faziam com que se transformasse em alguém totalmente contrário a si. Talvez essa fosse sua verdadeira personalidade cujo meus olhos ternos e carentes não conseguiram enxergar desde o início. Seu amor parecia fajuto, conveniente a alguém solitário. Sempre tive certa desconfiança para com o sentimento que me era depositado, mas levei tudo adiante, calado pelo submisso sentimento de solidão que sempre se alimentou da minha alma. Porém de nada houvera adiantado por muito tempo. Dizer-me adeus foi inevitável quando seus sentimentos já pareciam nulos. Apenas os seus.